Anabelle Karlota, minha amada princesa guerreira!
Bem mamães, hoje vou dividir com vocês a
história dessa princesinha, a minha amada sobrinha Anabelle. Ela é uma
guerreira desde o momento em que nasceu e até hoje continua na luta com
batalhas e vitórias diárias.
Minha irmã teve uma gravidez complicada, vivia
sangrando e o médico sempre dizia que aquilo era normal (onde já se viu sangrar
ser normal em uma gravidez?), ele apenas mandava ela tomar Buscopam para passar
a dor e descansar por dois dias. Com 5 meses de gestação ela foi ao hospital
pois estava sentindo muita dor e estava sangrando. Mas, mais uma vez o médico mandou-a pra casa dizendo que tudo aquilo era normal.
Chegando em casa, ela resolveu dormir um pouco,
pois aquela dor estava incomodando muito. Ela deitou-se e dormiu. Toda a
família estava indignada com o diagnóstico do médico e estávamos inconformados
com a situação. Enquanto discutíamos sobre o assunto ouvimos um grito vindo do
quarto. Era a minha irmã, apavorada. Corremos de imediato para o local aonde
ela se encontrava e quando chegamos lá entramos em choque ao ver a cama onde
ela estava dormindo coberta de sangue. Apesar do choque, tentamos agir
naturalmente para que o terror não tomasse conta dela. Ela foi levada as
pressas para o hospital. Ao chegar lá a equipe médica nos informou que ela
estava em trabalho de parto.
“Como pode um bebê de 5 meses de gestação
sobreviver?” Era a pergunta que mentalmente fazíamos, mas não tínhamos coragem
o suficiente para verbaliza-la. A primeira neta, uma gravidez tão esperada...
Os médicos não alimentavam nossas esperanças,
mas apesar de toda a situação nos agarramos em orações para que Deus agisse da
melhor forma possível. E creiam amigos, para Deus nada é impossível.
Ouvíamos os gritos da minha irmã e as lágrimas
escorriam pelo nosso rosto tal como uma cascata. Como o médico a mandou para
casa? Revoltado, o meu cunhado quase quebrou tudo no hospital, foi preciso uma
equipe para acalma-lo. Os gritos cessaram e em seguido um médico veio a nossa
direção nos informa sobre o caso. "Ângela está bem e sua filha está sendo
encaminhada para UTI".
Minha irmã estava inconformada, abatida,
angustiada. A depressão tomou conta dela naquele momento. Com lágrimas nos
olhos ela perguntava: “Aonde está a minha filha? Quero vê-la! Aonde está a
minha filha?”. Meu cunhado e minha mãe tentavam confortar a minha irmã dizendo
que ele era jovem e que muitos filhos estavam por vir. Minha mãe pediu para que
ela entregasse tudo nas mãos de Deus.
O médico explicou que a criança havia
sobrevivido e que estava na UTI, pois precisava de um tratamento diferenciado.
Seus órgãos ainda não estavam maduros, ela não poderia sobreviver sem o auxílio
das máquinas.
Nenhum membro da família pode visitar a criança
que esperávamos com tanto amor. Anabelle havia nascido e veio para esse mundo
sem poder ter o colinho da mamãe, o aconchego da família, o amor que todos
tinham para dar. Cercada de luzes, fios e estranhos, sendo furada diversas
vezes. Sozinha em uma caixa de plástico.
Ângela recebeu alta do Hospital. E pela primeira
vez pode ver sua filhinha amada. Vocês já viram alguma vez na vida a imagem de
um feto de 5 meses? Descreverei para vocês: Pele ainda translúcida, os olhos
totalmente pretos, corpo magro, pesando apenas algumas gramas. Imagine que de
tão pequena ela não conseguia segurar com uma mãozinha o seu dedo mindinho.
Foi um choque para minha irmã. Anabelle
tinha sondas, fios, várias máquinas a cercando... Lembro-me que Ângela chegou
em casa triste dizendo que viu sua bebezinha e que aquilo a deixou chocada.
Pediu para que orássemos por ela. Perguntei como era a minha sobrinha, gostaria
de vê-la também e pedi para que ela tirasse uma foto. Quanta ingenuidade de
minha parte! Ela respondeu-me que não iria tirar uma foto de sua filhinha
naquele momento, naquele estado, pois sabia que ela venceria e tiraria uma foto
de sua vitória. Respeitamos sua decisão. Apenas minha irmã e meu cunhado tinham
autorização para visitar Anabelle.
Eis que alguns dias se passaram e todos nós
guardávamos muita esperança em nosso peito crendo na vitória de Belinha. Até que em
uma das visitas o médico chamou minha irmã, pois a situação de nossa guerreira
estava pior. O médico havia descoberto que minha sobrinha tinha hidrocefalia.
"Hidrocefalia - No
interior do cérebro existem espaços chamados de ventrículos que são cavidades
naturais que se comunicam entre si e são preenchidas pelo líquido
cefalorraquidiano ou simplesmente liquor, como também é conhecido. O termo
hidrocefalia refere-se a uma condição na qual a quantidade de liquor aumenta
dentro da cabeça. Este aumento anormal do volume de líquido dilata os
ventrículos e comprime o cérebro contra os ossos do crânio). Esta doença pode
ter causa congênita, sendo elas relacionadas principalmente a três causas:
·
Genética (hereditário);
·
Espinha bífida;
·
Recém-nascidos prematuros.
Indivíduos que sofrem de hidrocefalia podem
apresentar problemas de aprendizagem, geralmente associados com problemas de
concentração, de raciocínio lógico, memória curta, problemas de coordenação, de
organização, dificuldades de localização no tempo e nos espaço, problemas de
motivação, puberdade precoce ou dificuldades visuais. Outros sinais que podem
surgir são: rápido crescimento da cabeça, tornando-se excessivamente grande;
irritabilidade; ataques epiléticos; cefaléia; dificuldades de locomoção; perda
das habilidades físicas; alterações de personalidade; êmese; letargia.
O tratamento geralmente é medicamentoso, mas
pode também ser cirúrgico, através da drenagem do líquido cefalorraquidiano
presente em excesso nos ventrículos, redirecionando-o para outras cavidades do
organismo".
Fonte: http://www.infoescola.com/doencas/hidrocefalia/
*Optei por não colocar
fotos de crianças com hidrocefalia, pois o conteúdo pode chocar a primeira
vista. Qualquer dúvida ou curiosidade a mais sobre o assunto pesquisem no
Google.
Voltando a história da
princesinha guerreira...
E mesmo tão pequena Anabelle teve que passar por
um processo cirúrgico. As chances de sobrevivência eram poucas, mas se a
cirurgia não fosse realizada Belinha não sobreviveria. Sua cabecinha crescia a
cada dia mais e uma decisão tinha que ser tomada. Então, mais uma vez minha
irmã e seu marido foram colocados à prova e confiaram a vida de seu bem mais
precioso nas mãos do grandioso Deus. Lutar é sempre melhor do que desistir. E
nossa guerreira tinha muita vontade de viver, pois mesmo tão pequenina, tão
frágil, aguentou firme a cirurgia e conseguiu se recuperar.
Nesse período em que minha sobrinha morou no
hospital enfrentamos mais uma outra dificuldade: Como minha irmã não pôde
amamentar, seu leite secou. Então, corríamos sempre atrás de voluntárias que
pudessem em um gesto de altruísmo, solidariedade e amor ao próximo, doar seu
leite materno para que nossa princesinha pudesse se alimentar. E agradecemos
muito por toda ajuda que nos foi dada. Que Deus abençoe cada uma de vocês! Não
temos palavras para expressar tamanha gratidão. Muito obrigada!
E então, após meses morando no hospital, eis que
no dia 24 de dezembro pude conhecer minha amada sobrinha Anabelle, pois nesse
dia tão especial o nosso pequeno milagre recebeu alta e pode enfim receber todo
o calor humano, o colinho, o amor que há tanto tempo esperávamos para dar-lhe.
Foi um dos dias mais feliz de nossas vidas!
De tão pequena as roupas de bebê prematuro mal
cabiam nela, tivemos que adaptar todas. Usávamos sempre uma toquinha em sua
cabecinha para que as visitas não se espantassem ao ver a protuberância da
válvula colocada em sua cabeça na cirurgia, pois comentários indesejados podiam
abalar a fé da mamãe guerreira.
Belinha foi crescendo, se desenvolvendo e mesmo
com suas limitações ela vive intensamente cada dia de sua preciosa vidinha com
a alegria de ser uma pessoa saudável e feliz. É fato que encontramos alguns
obstáculos como o preconceito ridículo que absurdamente nos dias de hoje ainda
existe. Mas, tê-la em nosso lar ampliou nossa visão de mundo e por vezes nos
fez entender e perdoar a tolice de pessoas ignorantes que ainda não aprenderam
o valor que cada vida possui. Hoje minha princesa guerreira tem 9 aninhos de
vida e dois irmãozinhos: Artur e Adrielly. Após o nascimento de Belinha foi
detectado o problema que fez minha irmã ter um parto tão prematuro. E não, não nos
perguntamos como ela seria se não tivesse nascido de 5 meses. Anabelle veio ao
mundo para nos ensinar, para mostrar que não importa a dificuldade, vale a pena
lutar, que uma criança especial não é uma criança doente, sem vida e sem
alegria, e que para os planos de Deus nada é impossível. Somos eternamente
gratos por ter a presença tão especial desse anjinho em nossas vidas. Passeamos
com ela pelas ruas e quando alguém faz cara de pena, de espanto ou de nojo, mostramos
para Belinha pessoas que assim como nós enxergam em sua presença um milagre de Deus
aqui na terra.
Ela
não é um fardo,
Não
é um peso,
Não
é coitada.
Ela
não é castigo,
Não
é doentinha,
Não
é um problema.
O
que uma mente maldosa cria, uma de bondade desfaz.
Ela
é um presente de Deus,
Nos
ensinou sobre a vida,
Nossa
guerreira.
Ela
é a vitória em pessoa,
Saudável
e contente,
Razão
de nossa alegria!
Anabelle,
nós te amamos muito!!!
Amamos muuuito, ela é a princesinha da familia ! Deus sabe o que faz, colocou Belinha na nossa vida para vermos que apesar dos problemas podemos dar a volta por cima. e ainda tem gente que reclama da vida não !?
ResponderExcluir♥
Concordo plenamente. E vc que a conhece, é membro da família, pode afirmar a alegria que Belinha irradia. Ela traz consigo uma força, uma luz especial, que nos fortifica. O que mais admiro em nosso pequeno milagre é que apesar de suas limitações, das dificuldades, ela é uma das pessoas mais felizes que já conheci. Lindo o nosso Anjinho!
ExcluirDeus é maravilhoso!
Beijos...
Adriana, que história emocionante. Sua sobrinha tem um sorriso lindo, de encher almas... Amei o nome dela, Anabelle, bela como ela...
ResponderExcluirObrigada, Danielle! Ela é uma criança maravilhosa e sempre desperta em nós um sentimento de gratidão pela maravilha de ter nossas preces ouvidas e nosso milagre realizado, e também nos transmite muita alegria com seu jeitinho meigo e personalidade única. :D
ExcluirSempre me emociono ao recorda a história de Belinha.
O nome dela foi uma homenagem a minha mãe: Anabel.
Beijinhos!
Que linda e emocionante história dessa guerreira! Meu João Vitor também nasceu prematuro, com apenas 30 semanas entrei em trabalho de parto prematuro , tive contrações e sangramento ,mas os médicos resolveram segurar o bebê por 3 dias, qdo eu estava bem sem sangramento e sem dores, ia receber alta qdo suspenderam a medicação e eu entrei em trabalho de parto novamente, sofri com dores e contrações desde a tarde até o outro dia as 9 horas + ou -. As enfermeiras não sabiam o que eu tinha e me deixaram chorar de dor até que de manhã vi que estava sangrando e liguei pro meu marido vir correndo , qdo a médica chegou eu já estava muito mal, o João nasceu e ficou na UTI por 30 dias , sei como é isso. Mas ele foi pra casa bem, só depois de 1 ano e meio detectamos uma sequela no nascimento, esperaram muito pra ele nascer, seu cérebro sequelou e graças a Deus ele foi encaminhado pra sessões de fisioterapia e começou a engatinhar com apenas 1 semana de tratamento com 2 anos ele começou a andar, o salvamos por um milagre, pois os médicos que eu o levava nunca nos falaram nada, apenas a 4ª pediatra nos ouviu e nos encaminhou pra um neuro. Hoje ele está bem. Eu admiro sua irmã, a Anabelle por lutarem e vencerem ,sei que nestas horas de dor só Deus é o salvador e e´ele que nos dá forças pra lutar e acreditar. Elas venceram . Parabéns a todos vcs.! Bjs
ResponderExcluirObrigada, Patricia! :D
ExcluirE ainda tem gente que não acredita na obra de Deus em nossas vidas... Vc foi presenteada com um pequeno milagre, assim como nós também fomos. E que belo milagre o seu João Vitor. Fui ao seu blog, AMEI e agora sou seguidora dele. *_*
Bela mamãe e belíssimo filho.
Que Papai do Céu abençoe cada vez mais o caminho de vcs.
Beijos...
Lindo! Que História de VIDA LINDA! Parabéns pela sobrinha maravilhosa e pela força de Vontade que todos possuem! Estou emocionada! Parabéns!!!
ResponderExcluirObrigada, Lidiane!
ExcluirA história de Belinha é uma lição de fé, amor e muito Deus no coração. É bom saber que conseguimos inspirar alguém contando o passado de nossa princesa guerreira.
Beijos...